Simplifica. Simples, fica.
Quando você chega à emergência de um hospital, uma das primeiras coisas que eles pedem é que você dê uma nota para a sua dor numa escala de um a dez. Me lembro de uma vez, logo no inicio, em que eu não estava conseguindo respirar e parecia que meu peito estava pegando fogo, as chamas lambendo meu tórax por dentro, tentando encontrar um jeito de sair e queimar o lado de fora, e meus pais me levaram para a emergência. Uma enfermeira perguntou sobre a dor e eu não conseguia nem falar, então mostrei nove dedos. Depois, quando já tinham me dado alguma coisa, a enfermeira voltou e ficou meio que acariciando minha mão enquanto media minha pressão arterial, então disse: Sabe como sei que você é guerreira? Você chamou um dez de nove.
—  A culpa é das estrelas.  
Você pergunta se ela também pensa em você. Sem resposta, mas claro que sim. Com sombras de dúvida. Ninguém apaga tudo assim. Ela também ouve “Fix You” com o olhar triste no céu escuro da varanda. Claro que ouve. Aí você começa a desconfiar que ela poderia ter sido a garota legal da sua vida.
—  Gabito Nunes. 
Ela sorri fácil, isso eu já notei, então penso alguns segundos sobre que tipo asqueroso de babaca faz aquele tipo de garota chorar.
—  Gabito Nunes. 
Mas, sei lá. Se eu não brigasse com ela todos os dias eu ficaria em casa sozinho, lutando contra mim mesmo, de toda forma. É bom ter com quem bater-boca. Você se sente quentinho por dentro, parece até que as coisas importam.
—  Gabito Nunes. 
Mas pra vida inteira é muito tempo. Faz assim… Vamos tentar até amanhã. Depois até quarta. E deixa a vontade mostrar até quando.
—  Soulstripper. 
Saudade dá, sempre dá, mas a gente disfarça, dorme, toma um café e finge que esquece.
—  Desconhecido.  
Eu olho tanto meu celular que já decorei de quanto em quanto são cinco minutos. Eu tenho vontade de jogar meu celular numa parede qualquer. E me libertar da vontade de ouvir sua voz. De novo, de novo, eu não canso. De novo fazendo romance em cima de um conto breve. Se você não ligar, nunca mais, eu vou ficar triste, igual fiquei semana passada porque outro não ligou, igual fiquei semana retrasada porque outro sumiu. Igual eu vivo ficando chateada e vive passando. Liga, vai, me dá uma chance. Me dá uma chance de ser extremamente sensual apesar do meu braço torto e das celulites da minha bunda. Ser extremamente sensível apesar de todas as ironias que eu te falo pra você não achar que pode me ganhar.
—  Tati Bernardi. 
Toda vez que toca o telefone eu penso que é você. Toda noite de insônia eu penso em te escrever pra dizer que o teu silêncio me agride, e não me agrada ser um calendário do ano passado. Pra dizer que teu crime me cansa, e não compensa entrar na dança depois que a música parou. Num tempo em que nada nos dividia, havia motivo pra tudo e tudo era motivo pra mais.
—  Engenheiros do Hawaii.
Sabe o que você merece? Uma vadia, sério. Daquelas que trate bem mal, que te faça de gato e sapato, que pegue 8 de uma vez na tua frente, e que seja bem, mas bem cretina. E sabe o que você vai fazer? Continuar correndo atrás dela. Porque além de demente, você é otário.
—  Tati Bernardi.
Olhei o rosto dela e pensei, merda, eu a amo.
—  Bukowski.
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